Você quer minha ajuda ou quer que eu pague as suas contas?

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Já é costume recebermos ligações e mensagens com pedidos de socorro. De todos os cantos de Brasília e fora dele, recebemos mensagens contendo histórias complexas e situações extremas. Escutamos as mais variadas histórias e tentamos ajudar de alguma forma. É certo que para uma boa parte não podemos fazer muita coisa tendo em vista que nossa fila está cheia. Sempre temos muitas pessoas para ajudar.

Para aquelas que não temos o recurso material damos uma palavra de animo ou indicamos para outros ajudarem. Aquele que bate na porta insistentemente de Deus, essa se abre, que seja a nossa ou outra, o segredo é a perseverança. Mas o que fazemos é ajudar e não pagar as contas.

Mas o que fazemos é ajudar e não pagar as contas.

Existem pessoas que nos procuram, pois estão endividadas e querem alguém para pagar suas contas ou ajuda-las com relação as suas dívidas. Alguns não querem conselhos ou vínculos, mas uma maneira rápida de resolver os seus problemas. Aí que está o grande problema. Se não investir no futuro passará a vida tentando apagar incêndios diários. Quem não planta não colhe e passa a vida pedindo ajuda para os outros.

Sabemos que existem pessoas em situações que precisam de uma atenção especial, ou que elas realmente não tiveram condições de não cair no buraco. Mas a melhor ajudar é dá-las perspectiva de vida e apoiar com uma cesta básica mensal até elas embalarem e conseguirem se firmar. Mas para aqueles que acreditam que a doação é um alivio para descansar, logo entendem que sem semear não irão colher. A melhor recompensa que temos é ver uma família progredir e não precisar de nenhuma ajuda extra.

Pagando-se a conta evitamos dela semear e lutar por seu futuro, se a ajudamos, lhe damos animo para que ela vença e consiga pagar suas próprias pendências financeiras. Sabemos que todos preferem que paguemos suas contas, mas se pensássemos assim estaríamos somente resolvendo o hoje.

Pagando-se a conta evitamos dela semear e lutar por seu futuro, se a ajudamos, lhe damos animo para que ela vença e consiga pagar suas próprias pendências financeiras.

O hoje é fruto do passado, assim como o futuro é fruto das sementes investidas nesse momento. Queremos que as famílias assistidas possam semear e colher, sobreviver e sonhar. Assim nossa ajuda vai além do material, tem vínculos e proximidade. Conhecemos suas famílias e chamamos as crianças pelo nome. Mais que doações trazemos nossa alegria, orações, conselhos e apoio. Queremos bem e procuramos achar maneiras de incentiva-los a irem além. Não damos o dinheiro e vamos embora, nós estamos lá e queremos saber como estão indo.

Aos novos voluntários que desejam trazer montes de doações eu digo: “Vá primeiro, sente no sofá e escute-os, só assim os entenderá e saberá o que realmente precisam”.

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