Sob o Sol Nascente

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Há mais de um mês que os moradores do conjunto B, da quadra 209, do Sol Nascente estão sem água. Não por conta do racionamento que atinge o Distrito Federal. A água até chega na rua dessa comunidade. O problema é que os moradores, para ter a água em suas torneiras, precisam instalar caixas d’água sobre suas casas, colocar caixa de gordura e mais algumas pequenas obras que, para quem vive de bicos esporádicos, ou não tem emprego, é quase impossível.

Mas a falta d’água não é o único problema estrutural que a comunidade vivencia. Não há pavimentação. É só chão de terra e poeira vermelha suspensa no ar. As casas têm paredes de tijolos, telhas de amianto e contrapiso de cimento. Algumas têm portas, outras não. No interior, a mobília é a essencial, sempre reaproveitada.

Já foi pior. Há pouco tempo, eram barracos. Foi graças a um mutirão entre os vizinhos, que se fez erguer um senso de comunidade, paredes e tetos sobre cada família. A simplicidade protege. Os sorrisos, acolhem.

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As dificuldades são muitas. As convenções sociais, de trabalho, de consumo, de viver, não se aplicam aqui. Come-se quando se tem o que comer. Trabalha-se, quando se tem oportunidade. Vive-se como dá. Cada história, de cada morador, é um relato de superação diária. E é sensível a esses relatos, que a Corrente do Bem Brasília vem ajudando essa comunidade há quase uma década.

O projeto trabalha em três frentes de igual importância. Antes de tudo, é necessário conquistar doadores e reunir voluntários. Na comunidade, um grupo promove distribuição de cestas básicas, roupas e utensílios às famílias mais necessitadas, enquanto outro faz visitas fraternais a essas famílias e trocam momentos, sorrisos, abraços e acolhimento.

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Difícil saber quem ganha mais nessas trocas. Se por um lado, há tanta gratidão repleta de carência de todos os aspectos, por outro, há a realização que só é possível aos que são solidários, preenchida com uma visão de mundo edificante para aqueles que escolhem enxergar um pouco além de seus jardins.

Texto:
Marcelo Campos Ottoni
Doador e voluntário da Corrente do Bem Brasília

Fotos:
Fernanda Junqueira Ottoni
Doadora e voluntária da Corrente do Bem Brasília

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